Escolas buscam trabalhar a educação socioambiental de forma holística
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Escolas buscam trabalhar a educação socioambiental de forma holística

práticas compartimentadas como reciclagem e hortas para formar cidadãos engajados com o ambiente ao redor


Como ensinar a uma criança que ela é parte integrante e responsável pelo meio em que vive? Que ferramentas utilizar para explicar que educação ambiental é também educação social? Que trilha seguir para formar cidadãos engajados com o mundo ao redor?


Entre os maiores desafios da escola hoje, o da educação socioambiental tem se mostrado complexo e urgente. Diante de diagnósticos arrasadores em relação ao futuro do planeta, a escola passa a ter um papel cada vez mais importante na formação de seres comprometidos com a tarefa de organizar a sociedade sob novos moldes. De aulas compartimentadas e isoladas da interação curricular com outras disciplinas, como práticas de reciclagem, a educação socioambiental vem sendo pensada de maneira holística, buscando difundir a ideia de que homem e meio ambiente são parte de um mesmo todo.


Experiências externas incorporadas por escolas e outras desenvolvidas dentro delas vêm trabalhando o vínculo das crianças com a natureza, muitas vezes esquecido nos centros urbanos. Em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, o Programa de Educação Socioambiental do Ecofuturo capacita educadores para desenvolverem estratégias de aprendizagem tanto no ambiente escolar quanto no Parque das Neblinas, área de mais de 6 mil hectares de Mata Atlântica declarada patrimônio da humanidade pela Unesco. As atividades começam com os educadores se reunindo no parque para traçar planos sobre como trabalhar a floresta enquanto espaço educativo, de preferência em sinergia com o currículo escolar.


Na sequência, ocorre uma vivência de seis a sete horas no Parque das Neblinas, em que os professores estimulam reflexões socioambientais e criam situações para que as crianças aprofundem o contato com a natureza. Isso é feito por meio de atividades como a apresentação dos elementos nativos da Mata Atlântica, como o fruto da palmeira juçara ou o cambuci, com o qual fazem bolo ou suco. O programa se encerra em sala de aula, com o desenvolvimento de projetos relacionados. "Estamos falando de relações transformadoras, de um público que passa a cuidar depois de conhecer", explica Michele Martins, analista de projetos da Ecofuturo, que gerencia o Parque das Neblinas. "É uma questão de pertencimento quando começam a pensar ''esse é meu ambiente, e como cuido dele agora?''".


A educadora Debora Cardoso Ferraz, da Escola Municipal Professor Sérgio Hugo Pinheiro, em Mogi das Cruzes, conta que seus alunos de 5 anos escolheram trabalhar temas como pássaros ou animais e apresentaram mudanças de comportamento importantes após a experiência no parque. Muitos passaram a se preocupar com o desperdício de água, com a reciclagem do lixo e até com o aprisionamento de animais domésticos. Também houve interesse pelo cultivo de alimentos. "Tudo o que fizemos foi marcante. Eles voltaram realmente encantados e isso ficará guardado como um tesouro para eles. Foi plantada uma sementinha", acredita Debora. Segundo a professora, o impacto no modo de ver as coisas é perceptível não apenas nos alunos que vivem em zonas urbanas, mas também naqueles oriundos de zonas rurais, habituados a práticas destrutivas como incinerar o lixo ou mesmo fazer queimadas para "limpar" a área de plantio.


O projeto do Ecofuturo existe desde 2010 e, por meio de uma parceria com a prefeitura de Mogi das Cruzes, já atingiu 3,6 mil crianças, sendo 50% que nunca haviam feito uma trilha antes. Para os pequenos da educação infantil é preparado um trabalho de observação mais minucioso e direto, enquanto os maiores, de 13 anos, são estimulados a investigar e encontrar elementos novos ao redor. A expectativa para este ano é que a prefeitura de Bertioga, no litoral paulista, também incorpore o programa à sua rede pública de educação.



Contato com a terra

Na cidade de São Paulo desde 1993, o Instituto 5 Elementos mantém o projeto Dedo Verde na Escola através do qual busca criar espaços educadores nas instituições de ensino, com atividades de contato com os ambientes naturais para despertar o olhar das crianças para os ciclos da natureza.


O projeto tem parceria atualmente com a Emei Dona Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, onde encontros temáticos resultaram em um minhocário, horta pedagógica, um sistema para a captação de 5 mil litros de água de chuva, além de oficinas de alimentação saudável, onde alunos e pais aprendem sobre a importância de substituir a alimentação industrializada pela natural, assim como a necessidade de incluir a criança na hora de cozinhar para que aprendam a valorizar os nutrientes. O interessante nesse caso é o processo.

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